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Ao usar a rádio da cidade na manhã de sábado (04) para rebater críticas sobre a reforma do Hospital Municipal, o ex-prefeito Edenilson Miliossi escolheu um caminho já conhecido na política: o discurso que não desmentem os fatos.
Em vez de encarar a verdade assumindo os fatos que provam os questionamentos dos vereadores, feitos na última sessão, e pela reportagem publicada nesta semana na COLUNA, o ex-prefeito preferiu culpar servidores que eram subordinados a ele. “Não é minha culpa”. Será?
Em um dos momentos da entrevista, jogou sobre o setor de engenharia da prefeitura a culpa por falhas graves na obra, numa tentativa de se afastar de decisões que, pela natureza do cargo que ocupava, de prefeito, era obrigação dele monitorar.
E aí está um ponto que não pode ser ignorado: prefeito não é figura decorativa. É ordenador de despesas, é chefe da administração, é quem responde politicamente e administrativamente por todos os atos de sua administração, bons ou ruins. Tentar agora empurrar a conta para uma engenheira já aposentada não é esclarecimento, é tentativa de sobrevivência política.
Outro ponto que causa estranheza é a questão dos R$ 500 mil em aditivos autorizados por ele à empresa envolvida na obra. Até hoje, ficam dúvidas sobre esses serviços. O problema se tornou ainda mais grave quando, já na atual administração, a empresa tentou receber esses valores, gerando ameaça de judicialização de um passivo de meio milhão de reais que nasceu na gestão Miliossi e que só foi descoberto quando o atual prefeito Carlos Caxão assumiu a prefeitura e se recusou a pagar, já que não existia comprovação legal de nada sobre esse “presente de grego” nos sistemas da prefeitura.
Mas talvez o ponto mais contraditório da entrevista de Miliossi na rádio tenha sido a tentativa de negar a inauguração da reforma do Hospital Municipal no último dia de mandato. Ele mentiu. A versão apresentada por Miliossi no rádio vai contra os registros e imagens do dia 31 de dezembro de 2024, que mostram cerimônia, placa inaugural e ato político em torno da entrega. Na prática, o que se viu foi uma tentativa de apagar um fato público que ficou documentado.
E isso tem peso. Porque não se trata apenas de uma confusão de narrativas. Trata-se de uma obra pública na área da saúde, apresentada como entregue, mas que depois mostrou problemas sérios a ponto de exigir intervenção da atual gestão. Em um setor tão importante quanto o hospital municipal, improviso, maquiagem administrativa e discurso político não resolvem as irregularidades graves encontradas pela atual administração.
A impressão que fica é que o ex-prefeito Miliossi foi ao rádio menos para esclarecer e mais para iludir. Só que a versão não anula as imagens, o ato administrativo nem a responsabilidade de quem estava sentado na cadeira de prefeito.
Na política, todo agente público tem direito à defesa. O que não se pode é contar lorotas. Quando a realidade cobra a conta, discurso sozinho não fecha a fatura.
No fim, o ex-prefeito pode até tentar convencer parte da plateia no microfone. Mas fora dele, continuam de pé as perguntas que realmente importam: quem autorizou, quem fiscalizou, o que foi feito, o que não foi feito e por que uma obra inacabada e inaugurada, precisou ser revista para evitar prejuízo maior à população?
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