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Os vereadores já cogitam a possibilidade de votar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar supostas irregularidades na obra de reforma do Hospital Municipal Arnaldo Coneglian, executada durante a gestão do ex-prefeito Edenilson Miliossi. O tema ganhou força na sessão desta segunda-feira (29), durante a discussão de um requerimento apresentado pelo vereador José Augusto Macedo e aprovado por unanimidade. O vereador deu a entender também que após apuração interna, o caso pode ser remetido a órgão externo, como o Ministério Público do Paraná.
O requerimento solicita laudos de execução da obra durante a gestão Miliossi e informações que motivaram a intervenção administrativa feita pela atual gestão no contrato com a empresa responsável pelos serviços. Entre os questionamentos levantados estão possíveis falhas na execução da parte elétrica e hidráulica, problemas nos acabamentos e divergências gravíssimas nas informações prestadas pela antiga gestão sobre o andamento da obra junto à Caixa Econômica Federal.
Segundo o que foi discutido na sessão desta segunda-feira, a atual administração teria identificado, em consulta à Caixa, indícios de que os percentuais de execução da obra informados no sistema não correspondiam à realidade. A situação exigiu medidas urgentes do atual prefeito para evitar a suspensão do contrato de repasse e até mesmo a possibilidade da devolução de valores já pagos. Também foram citados supostos aditivos sem registro oficial, estimados em cerca de R$ 500 mil, que teriam sido firmados na gestão do ex-prefeito Edenilson Miliossi com o antigo empresário e hoje são cobrados pela empresa. A atual administração descobriu ao assumir a prefeitura que esses lançamentos de cerca de meio milhão de reais não existiam no sistema e teriam sido realizados de maneira informal pela gestão Edenilson Miliossi, o que é ilegal.
A intervenção administrativa na obra foi anunciada pela Prefeitura em agosto de 2025, por meio do Decreto nº 045/2025, assinado pelo prefeito Carlos Caxão. A medida atingiu o contrato firmado ainda em 2020 com a empresa Angra Ltda, responsável pela reforma do hospital com recursos de aproximadamente R$ 1,2 milhão oriundos do Ministério da Saúde, via repasse da Caixa Econômica Federal.
De acordo com a apuração técnica contratada pela Prefeitura, um laudo pericial apontou graves falhas na execução, incluindo comprometimento da instalação elétrica com risco de incêndio, uso de projeto divergente e irregularidades em diversos serviços. Em reunião realizada na Caixa Econômica, em Maringá, a administração atual foi informada de que a obra estava oficialmente paralisada desde 2023, com apenas 64% de execução registrados no sistema, embora 88% do valor total já tivessem sido pagos até o final de 2024, o que indicou possibilidade de fraude. O ex-prefeito Miliossi chegou a inaugurar a obra inacabada no último dia de sua gestão.
Com a intervenção, a empresa ficou impedida de continuar os serviços, e a atual administração passou a trabalhar para corrigir os problemas, alcançar o percentual correspondente aos recursos já repassados e garantir a liberação da parte final do convênio. A Caixa deu prazo até 30 de setembro de 2025 para a regularização, sob risco de rescisão do contrato e devolução integral dos valores à União. A atual gestão conseguiu corrigir essas falhas dentro do prazo dado.
Na época, ao ser questionado pela reportagem da COLUNA, o ex-prefeito Edenilson Miliossi se manifestou sobre o caso, mas não comentou diretamente as falhas apontadas na execução da obra. Sobre os serviços extras, estimados em cerca de R$ 500 mil, sem detalhar os valores ou os procedimentos adotados, afirmou que não cabia a ele alimentar o sistema com os aditivos e atribuiu essa responsabilidade à fiscalização técnica do contrato, então vinculada ao setor de engenharia da Prefeitura, cuja responsável hoje está aposentada.
Agora, a Câmara Municipal aguarda a resposta do requerimento com todas as informações para tomar as próximas medidas.
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