O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, ofereceu denúncia criminal contra quatro pessoas investigadas por participação em um suposto esquema de “rachadinha” ligado a gabinete do deputado estadual Ricardo Arruda (PL), na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Entre os denunciados estão três homens e a esposa do deputado investigado, Patrícia Miranda Arruda Nunes. As acusações envolvem crimes de lavagem de dinheiro e concussão praticados entre os anos de 2018 e 2023, com valores que somam aproximadamente R$ 132,8 mil. Em setembro do ano passado, o MPPR cobrou do parlamentar do PL a devolução de R$ 1.045.170,80, que teriam sido desviados por meio do esquema de “rachadinha”. 

De acordo com o Ministério Público, o parlamentar teria exigido de servidores comissionados o repasse de parte dos salários. Os valores seriam recebidos de forma indireta, por meio de mecanismos destinados a ocultar a origem e o destino dos recursos.

A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal de Curitiba, que também determinou o afastamento de um dos denunciados que ainda ocupava cargo comissionado no gabinete do deputado, na Alep, com o objetivo de evitar a continuidade do esquema criminoso.

As investigações apontam diferentes formas de operacionalização do esquema. Em alguns casos, os valores repassados por servidores teriam sido utilizados para compra de moeda estrangeira, posteriormente entregue em espécie ao deputado Ricardo Arruda.

Outros repasses teriam acontecido por meio de cartões de crédito, com o objetivo de custear despesas pessoais da esposa do deputado com recursos provenientes dos valores exigidos dos servidores.

A apuração também identificou transferências bancárias, saques em dinheiro, depósitos em contas de terceiros e pagamentos de despesas pessoais, além de movimentações financeiras envolvendo empresa familiar ligada ao parlamentar.

Segundo a denúncia, nos fatos mais recentes, registrados em 2023, dois dos investigados teriam atuado diretamente na cobrança dos repasses e na adoção de mecanismos para ocultação dos valores.

Em relação às imputações, um dos denunciados responde por um crime de lavagem de dinheiro; outro por dez crimes de lavagem de dinheiro e dois de concussão; um terceiro por dois crimes de lavagem; e a quarta denunciada, que serisa a esposa do parlamentar, por oito crimes de lavagem de dinheiro e um de concussão.

O deputado, em Nota, negou as acusações.