Neste dia 5 de junho, quando é celebrado o Dia Mundial do Meio Ambiente, especialistas reforçam um alerta importante: o descarte incorreto de medicamentos ainda é um problema comum e pode causar sérios impactos ambientais e riscos à saúde pública. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil tem três vezes mais farmácias do que o recomendado pela entidade, e o descarte de sobras de remédios no lixo comum ou esgoto pode se tornar um problema ambiental e de saúde pública.

O descarte inadequado de medicamentos vencidos ou em desuso no lixo comum contamina a água e o solo, afetando peixes e outros organismos vivos, além de expor ao risco pessoas que consomem essa água ou se alimentam desses animais.

Como funciona a doação de sobras de tratamento?

Grande parte da população brasileira tem dúvidas sobre o que fazer com os remédios que sobram após o término de um tratamento. Segundo Aline Aparecida Pereira Souza, farmacêutica e responsável técnica da Farmácia Escola do Centro Universitário Integrado de Campo Mourão (PR), o reaproveitamento é seguro, desde que os critérios sejam respeitados.

“A doação de medicamentos é uma forma de ajudar pessoas que não têm condições de comprar, especialmente remédios de uso contínuo ou de alto custo”, destaca.

O que pode ser doado: Medicamentos dentro do prazo de validade (geralmente superior a 6 meses); Itens lacrados ou em cartelas (blisters) perfeitamente preservadas; Amostras grátis recebidas em consultórios médicos.

Onde e como entregar: Segundo o Ministério da Saúde, drogarias e farmácias devem disponibilizar e manter em seus estabelecimentos pelo menos um ponto fixo de recebimento a cada 10 mil habitantes. Outra possibilidade é buscar um ponto de coleta pelo site www.descarteconsciente.com.br

Guia prático: mitos e verdades sobre o descarte
Para além das doações, a falta de conhecimento sobre como descartar o lixo farmacêutico de forma correta ainda faz com que os resíduos químicos parem em aterros comuns. 

Abaixo, com base nas orientações técnicas e na legislação vigente, Aline Aparecida Pereira Souza, responsável técnica da Farmácia Escola Integrado, esclarece as principais dúvidas:

1. O que fazer se o medicamento já estiver vencido?

Medicamentos vencidos nunca devem ser doados ou jogados no lixo doméstico. Eles devem ser encaminhados para pontos de coleta específicos que realizam a destinação adequada. Atualmente, Unidades Básicas de Saúde (UBS) e algumas redes de farmácias possuem urnas coletoras preparadas para receber esse material.

2. Qual é o destino final do remédio vencido?

Diferente do lixo comum, esses resíduos químicos são recolhidos por empresas especializadas, passando por um transporte seguro. O tratamento final prioritário é a incineração em usinas equipadas com filtros de gases ou, em casos específicos, o envio para aterros de resíduos perigosos.

3. Como separar as embalagens (caixas, bulas e frascos)?

Lixo Reciclável Comum: Caixas de papelão e as bulas de papel podem ser descartadas na reciclagem convencional, pois não entram em contato direto com o fármaco.

Ponto de Coleta (Logística Reversa): As cartelas (blisters), frascos de vidro ou plástico e tubos de pomada contém resíduos químicos e devem ir para o ponto de coleta de medicamentos, mesmo se estiverem vazios.

Líquidos: Nunca despeje xaropes ou soluções na pia. Leve o frasco fechado e intacto até o local de coleta.

4. Onde descartar agulhas e seringas?

Materiais perfurocortantes (como agulhas, seringas e lancetas) são considerados resíduos infectantes e não devem ser misturados aos medicamentos, nem levados às farmácias comuns. Eles devem ser guardados em recipientes rígidos e resistentes (como uma garrafa PET ou lata) e entregues diretamente em uma UBS ou hospital.

Legislação
No Brasil, o descarte residencial de medicamentos é regulamentado pelo Decreto nº 10.388/2020, que institui o Sistema de Logística Reversa. A legislação estabelece uma responsabilidade compartilhada entre indústrias, distribuidores, farmácias e consumidores.

O país também possui regras da Anvisa para a dispensação fracionada de medicamentos (comprar apenas a quantidade exata de comprimidos para o tratamento), porém a prática ainda é limitada por exigir embalagens e autorizações especiais. Países como Suécia, Canadá, França e Austrália são considerados referências internacionais, com modelos de logística reversa amplamente financiados e forte conscientização popular.

Centro Universitário Integrado

O Centro Universitário Integrado é uma instituição de ensino superior com sede em Campo Mourão, reconhecida pela qualidade, com nota máxima no MEC e destaque em sustentabilidade. Oferece mais de 60 cursos de graduação e 70 de pós-graduação, com estrutura moderna, professores qualificados e foco em inovação. Integra o Grupo Integrado, que reúne outras instituições e completa 40 anos em 2026.